O presidente boliviano, Evo Morales, conseguiu impor seu projeto de reforma da Constituição no referendo deste domingo, segundo projeções divulgadas por canais de televisão, enquanto a oposição já começava a falar em desacato ao novo texto, de cunho altamente indigenista e centralizador.
Segundo a contagem rápida calculada pelas duas maiores redes privadas de televisão do país, o sim venceu com 60% dos votos, contra 40% do não, em números publicados pela Unitel, e 58,3% a 41,7%, de acordo com a ATB.
A contagem rápida, considerada confiável, é feita com dados oficiais recolhidos nos centros de votação. Os resultados oficiais, no entanto, só devem ser divulgados nos próximos dias pela Corte Nacional Eleitoral, que realiza a contagem dos votos manualmente.
Antes da votação, Morales afirmava que seu projeto constitucional seria aprovado com mais de 70% dos votos.
Se a nova Carta for de fato aprovada, a Bolívia realizará eleições presidenciais em dezembro deste ano, nas quais Morales se candidatará à para um novo mandato de cinco anos.
Em uma pergunta anxa, os bolivianos aprovaram também (por 79% contra 21%) que a extensão das terras para um proprietário rural não supere os 5.000 hectares – e não 10.000, como rezava a segunda opção.
A nova Constituição, porém, foi rejeitada amplamente nos departamentos de Santa Cruz – o mais rico da Bolívia -, Tarija, Beni, Pando e Chuquisaca, onde a governadora já convocou a população a desacatar a legislação de Morales.
“Desacato, desacato, desacato!”, convocou a governadora indígena Cuéllar, discursando no balcão da prefeitura de Chuquisaca, na praça de Armas da cidade de Sucre, feudo da oposição, onde milhares de pessoas se reuniram para festejar a vitória do não neste departamento.
Já em La Paz, Oruro, Potosí e Cochabamba, a maioria da população apoiou o novo texto constitucional, de 411 artigos.
Para observadores, o desacato promovido por Cuéllar pode se reproduzir em outras regiões dominadas pela oposição.[Terra]
Normalmente não coloco trechos tão grandes de notícias aqui, porém como muita gente não clica no link para a notícia é melhor assim. Para quem quiser ler mais sobre o tema, o link aponta para a reportagem completa.
Vamos lá, que situação complicada não? Enquanto uma parte do país aprova algumas mudanças propostas por Evo Morales, como maiores direitos aos indígenas, limitação na posse de terras e outras coisas, outra parte da população é totalmente contra. E com isso alguns estados de lá pretendem simplesmente agirem inconstitucionalmente para “bater de frente” com o governo. Uma bela dor de cabeça para o presidente.
É uma situação que a gente aqui não entende muito bem, mas a Bolívia é um país onde há muitos indígenas marginalizados, mesmo sendo um país que foi constituído por esse povo. É mais ou menos como nos EUA que tem muitos negros e mesmo assim eles sofrem racismo. Na Bolívia era necessário dar mais espaço para as pessoas mais pobres, mas tem alguns poderosos que são contra. Vai entender…

