Publicado por: Capitão Caverna | 5 / 06 / 2008

Os beneficios do palavrão!

“O nivel de estresse de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!” ? O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganzia as coisas. Me liberta.
“Não quer sair comigo? Então foda-se!”. “Vai querer decidir essa merda sozinho mesmo ? Então foda-se!”. O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal. Os palavrões não nasceram por acaso.

São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será essse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. “Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor idéia de muita quantidade do que “Pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática.

A Via-Láctea tem estrelas “pra caralho”, o Sol é quente “pra caralho”, o universo é antigo “pra caralho”, eu gosto de cerveja “pra caralho”, entende? No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “nem fodendo!”.

O “Nao, nao e nao!” e tao pouco e nada eficaz e já sem nenhuma
credibilidade “nao, absolutamente nao !” nao o substituem. O “nem fodendo!” é irretorquível, e liquída o assunto. Te liberta, com a
consciencia tranquila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro para ir surfar no litoral ? Nao perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo: “Marquinhos, presta atençao, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai para o shopping se encontrar com a turma numa boa e voce fecha os olhos e volta a curtir o cd do Lupicínio.

Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde o nosso ego exigia não somente a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra os descarados blefes, que é hoje totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senao com um “É PHD porra nenhuma!” ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”. O “porra nenhuma!”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrivel bem estar interior.
É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese clássicos “aspone”, “chepone”, “repone” e mais recentemente o “prepone” – presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um “Puta que pariu !”, ou seu correlato “PU-TA-QUE-O-PA-RIU!!!”, falados assim , cadencialmente, sílaba por sílaba. Diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o-pariu!” dito assim
te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar o merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça. E o que dizer do nosso “vai tomar no cu!” ?
E sua maravilhosa e reforçada derivação “vai tomar no olho do seu cu!”. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “chega! vai tomar no olho do seu cu!”.

Pronto, você retomou as rédeas da sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai a rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado
amor-íntimo nos lábios. E seria tremendamente injusto nao registrar aqui a expressao de maior poder de definiçaõ do Português Vulgar: “fodeu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: “fodeu de vez!”. Você conhece definiçao mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginavel de ameaçadora complicação ? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando voce está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem
carteira de habilitaçoao e ouve uma sirene de policia atrás de voce mandando parar: o que voce fala ? “Fodeu de vez!”.

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